segunda-feira, 7 de maio de 2012


PLANEJANDO A GRAVIDEZ


A maior parte das pessoas que eu conheço não planejaram engravidar, quer dizer, não literalmente. Embora estivessem sem métodos contraceptivos e praticando muito, não ficaram calculando a  ovulação a partir da data da última menstruação como eu fiz. Algumas, como minha irmã, foram pegas de surpresa pela cegonha. Mas, mesmo entre as que planejaram engravidar como eu fiz (e tomaram o ácido fólico 3 meses antes de suspender a pílula para evitar problemas no sistema nervoso do bebê), não conheço alguém que tenha planejado a data provável do parto motivada pelos mesmos motivos que eu. 

Há quem programe a chegada do bebê pensando no signo (não que eu acredite em astrologia) , em numerologia (que também não creio), ou que queira homenagear um parente próximo (nascer no mesmo mês do pai ou da avó da criança, por exemplo), ou mesmo baseada na estação do ano (se vai nascer em época de frio ou calor). Mas eu nem cogitei essas coisas todas. Tudo que eu queria era unir o útil ao agradável... Que minha licença maternidade coincidisse com o maior número possível de feriados! Ou seja: eu passaria o Natal, o Ano Novo, o Carnaval e a Páscoa sem trabalhar. E desde o primeiro ano da residencia médica que eu não sabia o que era ficar tantos feriados assim sem um único plantão. Principalmente os feriados de fim de ano, em que eu quase sempre estava escalada senão para um, para ambos, quer seja por sorteio ou por já ser esta a minha escala. Quem lê pode pensar que isso é muito azar para uma pessoa só, mas não é meramente uma questão de sorte. Tenho três empregos desde que concluí Pediatria, então se eu me livrava do feriado em um hospital, ainda corria o risco pelos outros dois.

Meu marido morria de rir quando me via fazendo cálculos e especulando quando eu deveria engravidar para que nascesse no final de dezembro ou no mês de janeiro. Ainda recordo minha DUM (data da última menstruação): 12/04/10. Logo minha DPP (data provável do parto) era dia 19/01/2011. E foi como eu planejei, entrei de atestado por quinze dias no último mês e entrei de licença com 37 semanas. Com exceção de um dos empregos, onde não aceitavam o atestado e tive que entrar de licença com 35 semanas. Mariana nasceu com 39 semanas  (pelo US e pelo Capurro) no dia 11/01/2011. E esse foi o dia mais feliz da minha vida, mas é assunto pra outro post.

Pronto, eu havia conseguido as minhas tão sonhadas "férias", longe dos feriados por 120 a 180 dias. E de brinde, ganhava um neném lindo, fofinho e cheiroso que ia mamar, dormir, fazer xixi e cocô, não necessariamente nessa mesma ordem. Que pensamento mais Poliana (a propósito, esse era meu livro preferido na infância)! Não pensem que eu estava sendo egoísta usando um recém-nascido para atingir objetivos tão frívolos. Eu queria ser mãe, e muito. Passei pelas mesmas coisas que toda  mulher passa quando Deus coloca seu relógio biológico programado para despertar todos os seus sentidos quando vê um bebê na rua e se pergunta como será o seu. Mais ainda no meu caso, que trabalho em maternidade e vejo crianças nascendo todos os dias. De repente eu estava mais atenta a detalhes antes imperceptíveis, como a primeira roupinha que a mãe havia separado para colocar no seu bebê, ou nos bordados delicados das mantilhas, coeiros, panos de boca, etc. Perguntava com real interesse se ela já sabia o sexo, se já tinha escolhido o nome, se queria fotografar o parto, o primeiro banho, a pesagem. E às vezes ficava namorando os recém-natos enquanto os examinava, pegando no colo depois do banho tomado e roupinha vestida,  só pra treinar um pouquinho. Antes mesmo de engravidar, no dia 31/12/10, eu estava passando a virada do ano em um culto especial da minha igreja, quando senti bem forte a presença de Deus e o Senhor me confirmou em um louvor a resposta ao pedido que fizera minutos atrás: " Pai, tu sondas o meu coração e sabes como desejo engravidar. Dá-me um filho Senhor, e certamente será teu por todos os dias da sua vida, pois eu o ensinarei nos Teus caminhos." O louvor veio logo em seguida: "... como quando Ana orava, por um filho ela clamava, e o Senhor a atendeu..." Naquela noite eu soube que 2011 seria o ano da minha gravidez e louvado seja Deus por isso.

Mas, voltando ao assunto do planejamento da minha gravidez, quem já tem filhos já leu nas entrelinhas... Licença Maternidade está muito longe de ser chamada de férias!!! E quando se tem um bebê em casa, durante muitos meses não há a menor diferença se é segunda ou domingo, dia útil ou feriado. Todos os dias se passam da mesma forma: comendo mal, dormindo pior ainda, amamentando, trocando fraldas e se desesperando com as cólicas. E escovar os dentes e tomar banho tornam-se uma missão quase impossível;  e escovar os cabelos, fazer as unhas ou depilar as pernas, um artigo de luxo muito eventual.

E teve algo que só fui perceber um ano depois, que quem nasce em janeiro fica com o aniversário prejudicado a vida toda: a maior parte dos convidados vai estar viajando e não vai comparecer à festa; se for comemorar com os amiguinhos da escola, será mês de férias e não tem aula em janeiro (ou antecipa pra dezembro ou atrasa pra fevereiro), se for mais velho e quiser comemorar com uma viagem no lugar da festa, vai pagar mais caro porque é alta estação.  Mariana que me perdoe, mas eu nem tinha pensado nisso....


Um comentário:

  1. Nossa, tia seu blog ficou lindo, amei e sempre vou vir visita-lo boa sorte que seu blog de muitas visitas. bjos boa sorte!

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